quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Novo Ponto de Partida


Sempre se ouviu dizer “ano novo vida nova”, a expressão até tem o seu sentido eu este ano é que infelizmente não a pude utilizar. Não posso dizer que o ano de 2012 tenha sido mau, mas também não foi dos melhores, digamos que até foi razoável. Se o ano foi complicado tanto a nível pessoal, familiar e profissional a passagem do ano tinha tudo para ser o chamado ponto de partida para um novo ano muito melhor que o anterior. Nessa noite fez sentido dizer “ano novo vida nova”, sentido que durou muito pouco tempo. Logo no dia 4 de Janeiro a minha avó paterna deu entrada no hospital de Castelo Branco, onde teve internada algum tempo. Os médicos logo desde o primeiro dia avisaram a família para estar preparada para o pior, pois o estado era mesmo muito grave. Se o caso até aqui já era muito grave, agravou-se com uma enorme gripe que eu apanhei, o problema nem era a gripe, o problema é que essa malvada gripe impediu-me de ir ver a minha avó ao hospital, estando avisado que os seus dias poderiam estar próximos do fim, toda a família já a tinha ido ver menos eu. Se pelo lado familiar as coisas não eram das melhores a nível pessoal as melhoras também não eram muitas. Vi-me obrigado a por fim a um grande amor, não é que tivesse deixado de amar a pessoa em si, porque essa ainda a amo e um amor como este não se esquece de um dia para o outro. Tive que meter uma pedra sobre o assunto, porque, Ela, seguiu com a vida dela em frente (encontrou um amor), não a posso condenar por isso, estas coisas não se escolhem, acontecem, e ninguém sabe explicar o porque. Mas não posso dizer que é fácil lidar com o assunto porque não é. Foram dias e mais dias, meses e mais meses, mais propriamente 492 dias ou seja 16 meses (1 ano e 4 meses, até a data de hoje) que a coloquei sempre em primeiro lugar na minha vida. Posso dizer que foi o meu primeiro grande amor. Dói saber que está nos braços de outro, mas quanto a isso não posso fazer nada, aliás poder até posso, posso-lhe dar a minha última prova de amor, que é desejar-lhe as maiores felicidades do mundo. Pois eu sempre disse que acima de tudo a queria ver feliz, e se ela está feliz eu estou felicíssimo. Agora só me resta guardar no coração esta história e continuar a viver com ela a nossa grande amizade, e posso garantir que não é uma amizade qualquer, pois é uma das amizades mais importantes da minha vida. Pois sei que com ela posso desabafar, confiar e sei que ela estará sempre presente nos momentos em que eu mais precisar. (Para ti: Apesar das coisas entre nós não terem nado quero que saibas que é para mim um orgulho enorme ter aprendido o verdadeiro significado da palavra amor contigo. E na minha opinião acho que te deves de orgulhar por me teres ensinado esse significado que para mim é das palavras mais importantes do mundo) Se a nível familiar e pessoal as coisas não eram das melhores a nível profissional, tinha tudo para seguir o mesmo caminho, posso dizer que fui para todas as minhas frequências sem estudar absolutamente nada. Não porque não quisesse, eu é que não tinha cabeça para tal coisa. Sempre que me sentava em frente à secretária para estudar, as forças esfumavam-se e estes meus problemas vinham todos à cabeça. Quis Deus que neste campo as coisas me corressem bem, pois passei a todas as cadeiras por frequência e com notas bastantes boas (a mais baixa foi 11 e a mais alta 16). Sem problemas profissionais, os familiares e pessoais esses insistiam em não me largar. A juntar à dor da perda de um grande amor, a situação da minha avó não via melhoras e eu continuava sem a poder ir ver. Finalmente teve alta e voltou para casa. As melhoras eram muito poucas ou quase nenhumas, mas pelo menos já estava em casa, só que a dor de não a poder ver, devido aquela gripe que tomou conta de mim, era enorme. Passado uma semana de ter alta a minha avó entrou nos serviços continuados de Cernache do Bonjardim, isto no dia 25 de Janeiro uma sexta-feira. Mas foi no Domingo 27 que finalmente lhe fui fazer a minha visita. Parecias tão bem, falaste tão bem comigo, apesar de já não me teres reconhecido, mas sei que o sofrimento era enorme. Arrepio-me todo sempre que me lembro do teu olhar quando o avô te entregou a imagem de Nossa Senhora de Fátima, olhaste para a imagem com um olhar de dor, de olhos bem abertos como se lhe tivesses a implorar para sair desse sofrimento. Passados dois dias chegou a triste notícia, partiste para junto de Deus. Até parece que estavas à espera da minha visita para te despedires, pois toda a família já tinha estado junto de ti menos eu. Despedimo-nos com um simples “até amanhã” mas quis Deus que esse “até amanhã” tivesse como significado um “até sempre”. Não foi um começar de ano nada fácil, enterrei a minha avó e um grande amor. Agora paro e penso. O que vai ser de mim? O que vou fazer à minha vida? Eu bem sei que não posso passar o tempo todo agarrado à almofada a chorar e a lamentar-me por tudo o que aconteceu. A vida segue em frente e eu tenho que seguir com ela. Foi nesse sentido que decidi marcar um novo ponto de partida, erguer a cabeça e seguir em frente. Dediquei-me a 100% ao jornalismo, criei a minha própria página e agora o meu dia é passado em frente ao computador a navegar por sites de órgãos de comunicação social. Dedico-me tanto que em menos de um mês já recebi um convite para escrever para uma revista online. Agora percebo o significado da expressão “refugiar-me no trabalho”, pelo menos assim não penso nas coisas em que não devo pensar. Há quem diga que não é a melhor solução, mas eu precisava de alguma coisa que me mantivesse ocupado. Apesar deste novo ponto de partida sei que muitos mais problemas vão aparecer e alguns deles já se vão avizinhando, mas até lá quero ganhar forças para os poder enfrentar e combater.