Sempre
se ouviu dizer “ano novo vida nova”, a expressão até tem o seu sentido eu este
ano é que infelizmente não a pude utilizar. Não posso dizer que o ano de 2012
tenha sido mau, mas também não foi dos melhores, digamos que até foi razoável.
Se o ano foi complicado tanto a nível pessoal, familiar e profissional a
passagem do ano tinha tudo para ser o chamado ponto de partida para um novo ano
muito melhor que o anterior. Nessa noite fez sentido dizer “ano novo vida nova”,
sentido que durou muito pouco tempo. Logo no dia 4 de Janeiro a minha avó
paterna deu entrada no hospital de Castelo Branco, onde teve internada algum
tempo. Os médicos logo desde o primeiro dia avisaram a família para estar
preparada para o pior, pois o estado era mesmo muito grave. Se o caso até aqui
já era muito grave, agravou-se com uma enorme gripe que eu apanhei, o problema
nem era a gripe, o problema é que essa malvada gripe impediu-me de ir ver a
minha avó ao hospital, estando avisado que os seus dias poderiam estar próximos
do fim, toda a família já a tinha ido ver menos eu. Se pelo lado familiar as
coisas não eram das melhores a nível pessoal as melhoras também não eram
muitas. Vi-me obrigado a por fim a um grande amor, não é que tivesse deixado de
amar a pessoa em si, porque essa ainda a amo e um amor como este não se esquece
de um dia para o outro. Tive que meter uma pedra sobre o assunto, porque, Ela,
seguiu com a vida dela em frente (encontrou um amor), não a posso condenar por
isso, estas coisas não se escolhem, acontecem, e ninguém sabe explicar o
porque. Mas não posso dizer que é fácil lidar com o assunto porque não é. Foram
dias e mais dias, meses e mais meses, mais propriamente 492 dias ou seja 16
meses (1 ano e 4 meses, até a data de hoje) que a coloquei sempre em primeiro
lugar na minha vida. Posso dizer que foi o meu primeiro grande amor. Dói saber
que está nos braços de outro, mas quanto a isso não posso fazer nada, aliás
poder até posso, posso-lhe dar a minha última prova de amor, que é desejar-lhe
as maiores felicidades do mundo. Pois eu sempre disse que acima de tudo a
queria ver feliz, e se ela está feliz eu estou felicíssimo. Agora só me resta guardar
no coração esta história e continuar a viver com ela a nossa grande amizade, e
posso garantir que não é uma amizade qualquer, pois é uma das amizades mais
importantes da minha vida. Pois sei que com ela posso desabafar, confiar e sei
que ela estará sempre presente nos momentos em que eu mais precisar. (Para ti:
Apesar das coisas entre nós não terem nado quero que saibas que é para mim um
orgulho enorme ter aprendido o verdadeiro significado da palavra amor contigo.
E na minha opinião acho que te deves de orgulhar por me teres ensinado esse
significado que para mim é das palavras mais importantes do mundo) Se a nível
familiar e pessoal as coisas não eram das melhores a nível profissional, tinha
tudo para seguir o mesmo caminho, posso dizer que fui para todas as minhas
frequências sem estudar absolutamente nada. Não porque não quisesse, eu é que
não tinha cabeça para tal coisa. Sempre que me sentava em frente à secretária
para estudar, as forças esfumavam-se e estes meus problemas vinham todos à
cabeça. Quis Deus que neste campo as coisas me corressem bem, pois passei a
todas as cadeiras por frequência e com notas bastantes boas (a mais baixa foi
11 e a mais alta 16). Sem problemas profissionais, os familiares e pessoais
esses insistiam em não me largar. A juntar à dor da perda de um grande amor, a
situação da minha avó não via melhoras e eu continuava sem a poder ir ver.
Finalmente teve alta e voltou para casa. As melhoras eram muito poucas ou quase
nenhumas, mas pelo menos já estava em casa, só que a dor de não a poder ver,
devido aquela gripe que tomou conta de mim, era enorme. Passado uma semana de
ter alta a minha avó entrou nos serviços continuados de Cernache do Bonjardim,
isto no dia 25 de Janeiro uma sexta-feira. Mas foi no Domingo 27 que finalmente
lhe fui fazer a minha visita. Parecias tão bem, falaste tão bem comigo, apesar
de já não me teres reconhecido, mas sei que o sofrimento era enorme. Arrepio-me
todo sempre que me lembro do teu olhar quando o avô te entregou a imagem de
Nossa Senhora de Fátima, olhaste para a imagem com um olhar de dor, de olhos
bem abertos como se lhe tivesses a implorar para sair desse sofrimento.
Passados dois dias chegou a triste notícia, partiste para junto de Deus. Até
parece que estavas à espera da minha visita para te despedires, pois toda a
família já tinha estado junto de ti menos eu. Despedimo-nos com um simples “até
amanhã” mas quis Deus que esse “até amanhã” tivesse como significado um “até
sempre”. Não foi um começar de ano nada fácil, enterrei a minha avó e um grande
amor. Agora paro e penso. O que vai ser de mim? O que vou fazer à minha vida?
Eu bem sei que não posso passar o tempo todo agarrado à almofada a chorar e a
lamentar-me por tudo o que aconteceu. A vida segue em frente e eu tenho que
seguir com ela. Foi nesse sentido que decidi marcar um novo ponto de partida,
erguer a cabeça e seguir em frente. Dediquei-me a 100% ao jornalismo, criei a
minha própria página e agora o meu dia é passado em frente ao computador a
navegar por sites de órgãos de comunicação social. Dedico-me tanto que em menos
de um mês já recebi um convite para escrever para uma revista online. Agora
percebo o significado da expressão “refugiar-me no trabalho”, pelo menos assim
não penso nas coisas em que não devo pensar. Há quem diga que não é a melhor
solução, mas eu precisava de alguma coisa que me mantivesse ocupado. Apesar
deste novo ponto de partida sei que muitos mais problemas vão aparecer e alguns
deles já se vão avizinhando, mas até lá quero ganhar forças para os poder
enfrentar e combater.